quarta-feira, 18 de abril de 2018

Atrás das Grades

Em um dos piores cenários políticos que já tivemos até hoje, e com o agravamento generalizado da falta de segurança no Rio de Janeiro, os bairros nobres da cidade estão se tornando uma prisão domiciliar.

A cada dia, aparece um sistema novo de segurança mais caro e mais sofisticado. Monitoramento pela internet, alarmes, rastreadores,  produtos de alta tecnologia e vigilância 24 horas, tudo funcionando bem enquanto o cidadão está dentro de casa, mas quando sai para a rua, nada resolve. Quanto mais sistema de segurança, menos seguro você está. Antigamente, não havia sistemas de segurança nas residências, e muitas casas não tinham nem sequer muros.

Acredito que o responsável pela situação atual do Rio foi o abandono governamental e a falta de apoio institucional aos profissionais de segurança que trabalham no estado. O que vivemos atualmente é uma ausência de políticas de segurança pública no Rio de Janeiro. 

O  que era bonito não é mais tão maravilhoso aos olhos dos cariocas.

A disparidade das classes sociais é um problema que afeta todos os estados brasileiros e o Rio de Janeiro é um dos estados que tem sofrido muito com essas diferenças. A harmonia acabou. Já existe uma barreira entre as comunidades e os condomínios sofisticados. Ao longo dos anos, o relevo do município do Rio de Janeiro se transformou em uma paisagem com dois lados: de um lado, os prédios luxuosos, bem estruturados, com ruas bem cuidadas e com sistemas modernos de segurança; do outro, um modelo sem planejamento, com ruas estreitas e muitas delas sem saídas. Além disso, as casas nas comunidades de baixa renda são adaptadas para uma possível expansão vertical baseada no aumento familiar.

Até então, os condomínios fechados propagavam um estilo de vida seguro com lazer e conforto. Os prédios com os muros, cercas, câmeras e portões davam aos seus moradores, uma sensação de segurança. Mas a insegurança se instalou de vez. Os arrastões têm sido frequentes em bairros nobres do Rio. A cidade se dividiu e o direito de ir e vir acabou. 

Atualmente, existem dois tipos de condomínios no Rio de Janeiro, os cercados pelos moradores ou os cercados pelo tráfico. O primeiro tipo é consequência do segundo, uma solução para garantir a segurança que o governo não garante. 

As discursões são muitas, mas o momento é de reflexão sobre a necessidade de um plano de políticas públicas que dê condições de moradia, além de acesso a estruturas de saúde e educação plenas a todos. Enquanto os governos não se engajarem em planejamentos capazes de reduzir as desigualdades, não haverá solução para falta de segurança.
(Por Luiz Martins)
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