quinta-feira, 14 de junho de 2018

Preservação da história ferroviária - Um País fora dos trilhos.


Sobrevivendo quase no anonimato, o Museu do Trem em Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, ainda existe graças aos heróis que trabalham tentando recuperar um patrimônio quase perdido.

Museu do Trem - Engenho de Dentro (RJ)
O local ainda não entrou nos trilhos da programação turística do Rio, e os poucos trabalhadores que estão lá estão tentando recuperar o Museu sem recursos externos. O Sr. Flávio Duarte Macedo, coordenador operacional  do Museu, já conseguiu recuperar parte da iluminação e está trabalhando na recuperação do Jardim.

Sr. Flávio Duarte na recuperação do Jardim


O outro lado do olímpico Engenhão: bens culturais em ruínas.
Ofuscado pelo Estádio Nilton Santos, o Museu do Trem, localizado na Rua Arquias Cordeiro, sobrevive quase no anonimato. Fundado em 1984, fechado duas décadas depois para a construção do estádio (erguido no terreno do museu) e reaberto no ano passado, o espaço recebe poucos visitantes e tem uma rotina tranquila, como a das máquinas que repousam em seu acervo, que durante muitos anos transportaram reis, imperadores e diversas autoridades.

Arquiteturas abandonadas e cobertas por matos
Tempos atrás, estivemos no Museu conversando com o Sr. Bartolomeu, historiador e diretor do museu. Na ocasião, ele nos informou que o local recebia poucos visitantes, pois falta apoio dos órgãos competentes. Ele mencionou que o museu precisava ser incluído nos principais roteiros turísticos organizados pela prefeitura e governo. “Além de precisarmos de uma reforma, para dar um aspecto melhor ao prédio, pois as pessoas que passam por aqui, acham que o museu está abandonado”, disse Bartolomeu.

Patrimônios cobertos por matos
Com a extinção da Rede Ferroviária Federal S.A., em 2007, o museu, que hoje tem o nome de Casa do Patrimônio Ferroviário do Rio de Janeiro, passou a ser administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN).

ACERVO DO MUSEU DO TREM INCLUI CARROS E DIVERSOS OBJETOS

Entre os importantes acervos do Museu do Trem, inclui a primeira locomotiva que circulou no Brasil, em abril de 1854. Trata-se da Baroneza (grafada com “z”, de acordo com a época). O nome foi dado em homenagem à Maria Joaquina Machado de Souza, esposa do Barão de Mauá, o responsável pela construção da primeira estrada de ferro do Brasil.

A velha Leopoldina caindo aos pedaços
Outra relíquia do século 19 é o carro imperial, que era utilizado pelo imperador Dom Pedro II para ir à residência de verão em Petrópolis. Foi fabricado na Bélgica, em 1886, já no fim do governo do monarca (destituído do poder três anos depois com a proclamação da república).

No acervo, também há um carro usado pelo Rei Alberto, da Bélgica, em sua visita ao Brasil, na década de 1920, quando ele foi a Minas Gerais inspecionar extração de ouro.

O vagão utilizado pelo presidente Getúlio Vargas é outro destaque do museu, que não fica apenas nos trens, mas apresenta vários objetos ligados à história ferroviária. Todos equipamentos do acervo são originais, como faróis de locomotivas, relógios de estações, equipamentos mecânicos para trens e para a construção das ferrovias.

A velha Maria Fumaça da Central do Brasil
O Museu do Trem, pela sua importância na história do Brasil, poderia ser incluído na preservação patrimonial e ser um local de visitação do Rio. Não podemos permitir que se apague uma história tão importante de nosso país.
(Por Luiz Martins)
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